Depois de tanto tempo sem atualizar, o mínimo que posso fazer é dar uma explicação. Lá vai ela: Já falei por aqui de periodos de angústias, cansaço, tristezas e outras coisinhas muito comuns às mamães de primeira viagem. Pois é. Digamos que entrei num super periíodo, onde todos esses sentimentos se misturaram de forma potencializada, adiciona-se a isso um periodo de quase 15 dias em que o Gustavo esteve muito gripado, precisando de muitos cuidados.
O Gustavo já está ótimo. Ele ficou com o pulmãozinho cheio de secreção por mais de uma semana. Estava muito amoado, só queria o colo da mamãe. Precisei fazer nebulizações e ficar dando liquidos pra ele a força, já que ele não queria beber nada. Bem, foi a primeira vez que ele ficou doentinho, Dei conta do recado, graças a Deus. Mas fiquei uma semana praticamente só por conta dele, sem trabalhar em casa, deixando serviço acumular, fazendo só o necessário. Normal, né?
Quanto a mim, bem a história é um pouquinho mais complicada. Uns dois anos antes de engravidar, tive depressão. Fiz tratamento com terapia e psiquiatra (leia-se remédios). Quando engravidei, ainda tomava comprimidos, mas estava parando aos poucos por conta própria, pois estava me sentindo melhor. E ainda fazia terapia. Quando descobri a gravidez, parei de vez com os remédios. O maior medo que nós tinhamos (eu e minha psicóloga) era que eu viesse a ter depressão pós parto. Por motivos de força maior, precisei largar a terapia no meio da gravidez, mas a psicóloga não me abandonou. Ela se colocou à minha disposição e "mandou" que eu a avisasse assim que o bebê nascesse, para que ela fosse me visitar e diagnosticar se havia ou não DPP.
Diagnóstico: negativo. O fato é que dois meses depois, mais ou menos, comecei a ter aqueles sintomas que a maioria das mamães aqui também já descreveram: medo, cansaço, insegurança, tristeza, tudo relacionado ao filho, casamento e a mim própria. Mas como já discutimos aqui, esses são sentimentos comuns, e não representam a existência de uma DPP.
Acontece que nos últimos tempos, esses sentimentos se intensificaram. Tudo se tornou um caos. Um sentimento de impotência e de fracasso tomou conta de mim. Me senti insegura como mãe, mulher, filha. Olhei pra dentro de mim e não gostei do que vi. Senti que estava perdendo o controle sobre minha vida, e um sinal de alerta começou a ser emitido dentro de mim, e foi ficando cada dia mais forte.
Bem, eu poderia escrever detalhadamente tudo o que está acontecendo comigo, mas ficaria um texto grande e chato. O importante é que hoje, graças a um fato, que futuramente posso contar a vocês em outro post, tomei consciência que sozinha eu não posso mais. Preciso sair desse caos e começar a reorganizar minha vida. Liguei para a terapeuta e marquei uma consulta. Depois, chorei, chorei muito. Mas um choro libertador, sabe, como quem começa a nascer de novo. Isso não aconteceu de uma hora para outra. Durante todo esse tempo, durante esse caos, de certa forma eu estava me analisando, olhando pra mim e vendo meus pontos fracos, meus medos. E isso assusta. Mas Deus tem uma presença muito forte em minha vida, e de uma forma muito particular me fez enxergar que com meus esforços e méritos somente eu não vou mudar essa situação.
Decidi escrever tudo isso porque talvez exista uma mãe que esteja passando por uma situação semelhante à minha. Ser mãe é uma experiência maravilhosa, mas exije muito de nós, e por isso, por nos doar tanto, às vezes ficamos fragilizadas ou simplesmente esquecemos de nos cuidar, de olhar um pouco pra nós e ver o que em nós precisa ser cuidado. Por isso eu digo: Se você se sentir assim por muito tempo, a ponto de incomodar muito, não pense que é coisa a toa e que vai passar sozinho. Procure ajuda. É claro que todo mundo tem um dia ou dias em que tudo parece uma loucura e que a gente não vai dar conta, Mas se esse período demorar a passar procure ajuda: converse com outras pessoas, reze, vá a um médico. Você precisa estar bem consigo mesma para dar todo amor que seu filho merece, para que ele cresça feliz e seguro, e claro, pra você e seu marido também serem felizes. Não abra mão do seu bem estar. Mesmo porque, o bem estar de seu filho depende do seu.
Hoje decidi me reinventar, cuidar de mim. E, para usar um lugar comum, um chavão bem conhecido: Que hoje seja o primeiro dia do resto da minha vida!!!!